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Intermação em Cães

Intermação em Cães

Intermação é uma síndrome que resulta na incapacidade de dissipar o calor acumulado durante a exposição a ambientes quentes e/ou úmidos, ou durante exercícios físicos extenuantes sob o estresse por calor; Podemos dizer que se assemelha à 'insolação' nos seres humanos.

Recentemente, uma nova definição para intermação foi proposta, se caracterizando por: 'Uma forma de hipertermia (>41°C) associada a uma resposta inflamatória desencadeada por uma disfunção de múltiplos órgãos, cuja encefalopatia é predominante'.

A síndrome se apresenta de forma aguda, severa e com 50-56% de taxa de mortalidade.

As causas podem ser:

1) Fatores que aumentam a produção de calor: exercícios, hipertermia maligna, hipertermia hormonal (hipertireoidismo, feocromocitoma), febres ou fasciculação muscular severa; 

Esses fatores podem ou não estar associados à:

2) Fatores endógenos e exógenos que diminuem a capacidade de dissipar o calor :

a) Endógenos: obesidade, raças braquicefálicas, paralisia de laringe, idade avançada, doenças cardiorrespiratórias e doenças em sistema nervoso central;

b) Exógenos: privação de água, confinamento em locais mal ventilados e com umidade elevada.

Na tentativa de dissipar o calor, o corpo promove diminuição da resistência vascular e vasodilatação periférica, fazendo com que o coração aumente o débito cardíaco e por consequência a frequência cardíaca; conforme a hipertermia progride, há acúmulo de sangue no baço causando hipovolemia e hipotensão; Esta hipovolemia prejudica a dissipação do calor e agrava o quadro. Temperaturas acima de 41°C atreladas a hipotensão e consequente hipoxemia causam a chamada 'falência de múltiplos órgãos', desencadeando diversos sinais clínicos, provenientes do colapso de cada sistema.

Os sinais clínicos vão depender da gravidade do caso e do estágio de choque. Alguns deles: hipertermia, taquipnéia, alteração de consciência, desorientação, fasciculação muscular, mucosas hipocoradas, vômitos, diarreia, equimoses, petéquias, hematúria, hematêmese, hematoquezia, anúria, mioglobinúria, choque, entre outros.

O diagnóstico é feito através da anamnese, sinais clínicos supracitados e o resultado de exames. Deve-se obter a maior quantidade de informações clínicas e patoclínicas para adequado tratamento e prognóstico. Dentre os exames, é esperado no hemograma: leucocitose (resposta inflamatória normal decorrente ao quadro) ou leucopenia (secundária à sepse ou exaustão da medula óssea), hemoconcentração/policitemia, agregados plaquetários, anemia, trombocitopenia (em 83% dos casos) e presença de metarrubrícitos (em 90% dos casos). No Bioquímico: aumento considerável de ALT, uréia, creatinina, bilirrubina total e hipoglicemia. Na hemogasometria: Acidose metabólica e alcalose respiratória compensatória, aumento dos valores de lactato, hipernatremia (por desidratação) ou hiponatremia(perdas por êmese e diarreia), hipercalemia, hipofosfatemia e hipocalcemia. Na Urina: presença de bilirrubina e mioglobina. Nos testes de coagulação: aumento de PT, PTT e APTT; o tromboelastograma também pode ser útil para avaliação do estágio da CID.

Entre os sinais de mau prognóstico, temos: demora ao socorrer; alteração do status de consciência e convulsões; hipoglicemia (<47mg/dl) e Azotemia (valores de creatinina>1,5mg/dl) persistentes em período de 24 horas; sinais de choque e CID.

O tratamento é emergencial e deve ser feito de acordo com os sinais clínicos. Deve-se resfriar o animal, recuperar perfusão com fluidoterapia intravenosa (cristaloides e colóides) e oxigênio; prevenir distúrbios de coagulação com administração de plasma fresco e resfriado; manter PAS próxima da normalidade com vasopressores (Dopamina, Norepinefrina, Dobutamina); suplementação com glicose intravenosa; Mensurar débito urinário, se <2ml/Kg/h, administrar diuréticos (furosemida, manitol); prevenir a sepse por translocação bacteriana através de antibióticos de amplo espectro e suas associações e suporte gastrointestinal com anti-eméticos  e bloqueadores de prótons. O uso de Corticosteróides é controverso.

Tudo pode ser prevenido mantendo animal em locais frescos e arejados; passeios apenas nas horas mais frescas do dia e sem exceder o limite do cão. Caso o cão comece a apresentar tais sinais, o socorro deve ser imediato, assim como o resfriamento.

 

Escrito por: 

M.V. Mayara Chagas (Clínica Médica e Internação)

Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual Paulsita - Boucatu;

Aprimoranda em Clínica Médica e Intensivismo - Centro Veterinário Butantã.

 
 

Refêrencias Bibliográficas

Bruchim Y, Klemente E, Saragusty J, et al,.  Heatstroke in dogs: a retrospective study of 54 cases (1999-2004) and analysis of risk factors for death. Journal Vet Interned, 2006. 20: 38-46.

Segev, G. , Aroch, I. , Savoray, M. , Kass, P. H. and Bruchim, Y.  A novel severity scoring system for dogs with heatstroke. Journal of Veterinary Emergency and Critical Care,2008. 25: 240-247. 

Powell L.: Canine Heatstroke. Clinician's Brief, 2008.  8, 13-16.

Hemmelgarn, C. and Gannon, K. Heatstroke: Clinical Signs, Diagnosis, Treatment and Prognosis. Compendium: Continuing Education for Veterinarians. 2013. E1- E6.


Categoria: Artigos

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